“Processo terapêutico” é o nome técnico para "fazer terapia". É o processo de, através da comunicação, expor sentimentos, pensamentos, emoções, experiências, dores e afins. Apesar de isso ser a definição simplificada de "fazer terapia", para muitos pacientes esta é justamente a parte mais difícil de toda a história. Mas no fim das contas, a única coisa acontecendo de verdade é uma conversa – íntima e pessoal, muitas vezes árdua, mas uma conversa.
Acredito que o que torna tudo mais desafiador não é somente a exposição, mas o ato de reconhecer. Durante a conversa, da forma como acontecer, o paciente é reconhecido como ele mesmo. As histórias que decide contar, cada entonação ou pausa, cada brincadeira pra deixar o clima mais leve ou silêncio interminável – tudo isso produz o reconhecimento de quem aquele paciente acredita (às vezes erroneamente) defini-lo como pessoa.
Além disso, durante a terapia, percebemos nossas limitações. Os momentos mais importantes das nossas vidas costumam acontecer em períodos em que não temos tanto controle, e isso parece ser a parte mais dolorosa do processo: reconhecer a própria vulnerabilidade, a fragilidade, os machucados, as raivas e a dor. De qualquer maneira, sem esse reconhecimento não existe tratamento, não existe mudança ou melhoria. Sem assumir as nossas limitações, sejam elas autoimpostas ou previamente construídas em conjunto com outros, não existe sossego e tranquilidade. E quando este reconhecimento finalmente emerge, parece ajudar estar com alguém que busca não nos julgar. Alguém que não exige a mudança imediata, mas entende que tudo que já aconteceu de ruim, de bom, de importante e de definitivo carrega um peso distinto em cada um – peso esse que já foi carregado a vida inteira e que pode ser compartilhado com a intenção de reconhecer, enfim, que as coisas não precisam ser do jeito que são.
Exatamente por isso decidi ser psicólogo. Compreender que nem sempre precisamos de soluções rápidas e fáceis ou conselhos superficiais. Muitas vezes, o que precisamos é alguém que possa nos ouvir, tentar nos entender e facilitar o processo – simplesmente por estar ali e encontrar as palavras certas a serem ditas naquele momento. O processo terapêutico pode sim ser desafiador, mas com o profissional certo, ele pode transformar uma vida inteira.